EDUCAÇÃO

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A GRANDE VERDADE E A GRANDE MENTIRA

Prof Eduardo Simões


https://assets.digital.cabinet-office.gov.uk/government/uploads/system/uploads/image_data/file/20004/boys_in_school_960x640.jpg
Fonte: www.gov.uk/

Cada povo deve construir a sua escola de acordo com as suas possibilidades e tradições culturais, evitando atrelar-se a modelos externos, principalmente aqueles que são superficiais e vazios de conteúdo significativo, como os testes do PISA. A avaliação será sempre a consequência do sistema e nunca a sua causa, logo é uma aberração que alguns queiram que o resultado do PISA, criado para atingir objetivos estranhos ao nosso sistema educacional e à nossa cultura, determine o caráter do nosso sistema de ensino.

            É verdade que um país, para se tornar uma potência no sentido mais amplo do termo, precisa antes de tudo garantir educação de alto nível para as suas crianças e jovens. Tal é o caso da Argentina, um país pioneiro em matéria de educação pública, principalmente no governo de Domingos Faustino Sarmiento, de 1868 a 1874, quando uma vigorosa reforma educacional tomou forma e ajudou a lançar a nação para a quarta economia do mundo, no início do século XX, além de projetá-la no cenário da literatura mundial, confirmada por vários Prêmios Nobel.
            É mentira, e grande, porém, afirmar que, nos dias de hoje, o melhor caminho para um país atingir a excelência educacional seja atrelar o seu sistema educacional aos resultados do PISA, por um fato muito simples: não há nenhum país que tenha obtido, primeiro, grandes notas no PISA, e depois se tornado uma potência econômica ou social, mas, pelo contrário, primeiro os países se tornam grandes potências econômicas e sociais para depois conseguirem boas notas no PISA, de onde só podemos tirar duas conclusões:
            a) A educação não é relevante para o progresso de um país.
            b) O PISA não é relevante para o progresso da educação, e por tabela do país, pois apenas espelha o sucesso já alcançado pela maturação do sistema educacional e econômico construídos muito antes, e que não precisam do PISA para mostrar a sua pujança – este vale mais como um fator de propaganda política, como uma cereja sobre a cobertura de um bolo.
            O PISA é tão vinculado à realidade econômica e tão alheio ao que acontece na educação, que a Argentina, com sua poderosa tradição educacional, tem ficado sistematicamente atrás do Brasil nos últimos testes, embora em 2000 estivesse bem à frente, e em 2006 só um pouco acima, refletindo descaradamente o colapso paulatino da economia e da sociedade, sob os desmandos da Kirchner local. Ademais, prosseguem os burocratas e os oportunistas de sempre, agitando, conforme a conveniência, as bandeiras que mais lhes convém, esfarelando despudoradamente os resultados dos testes, citando a China, quando convém criar metas ambiciosas e mais disciplina nas escolas, e a Coreia ou a Polônia, quando o que interessa é acabar com a estabilidade dos professores.
            Mas a lição que fica do conjunto dos dados é única e cristalina. Se é que nós vamos continuar nos espelhando no PISA, é preciso fazer a revolução econômica, social e moral da sociedade para começarmos a atingir bons resultados nesses testes, caso contrário, mesmo sem abandonar as premissas revolucionárias citadas, devemos recriar e aprimorar nossas próprias metas educacionais, em função de nossas tradições e necessidades, e aí a escola pode ser um elemento dinamizador fundamental, modificando, inclusive relações administrativas no âmbito das escolas, sem a necessidade de passar pelo PISA, da mesma forma que Colombo descobriu a América, sem precisar passar pelos Estados Unidos.


(visite o blogue historiatexto.blogspot.com.br)

Nenhum comentário:

Postar um comentário