A GRANDE VERDADE E A GRANDE MENTIRA
Prof Eduardo Simões
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Fonte: www.gov.uk/
Cada povo deve construir a sua escola de acordo com as
suas possibilidades e tradições culturais, evitando atrelar-se a modelos
externos, principalmente aqueles que são superficiais e vazios de conteúdo significativo,
como os testes do PISA. A avaliação será sempre a consequência do sistema e nunca
a sua causa, logo é uma aberração que alguns queiram que o resultado do PISA,
criado para atingir objetivos estranhos ao nosso sistema educacional e à nossa cultura,
determine o caráter do nosso sistema de ensino.
É
verdade que um país, para se tornar uma potência no sentido mais amplo do
termo, precisa antes de tudo garantir educação de alto nível para as suas
crianças e jovens. Tal é o caso da Argentina, um país pioneiro em matéria de
educação pública, principalmente no governo de Domingos Faustino Sarmiento, de
1868 a 1874, quando uma vigorosa reforma educacional tomou forma e ajudou a lançar
a nação para a quarta economia do mundo, no início do século XX, além de projetá-la
no cenário da literatura mundial, confirmada por vários Prêmios Nobel.
É
mentira, e grande, porém, afirmar que, nos dias de hoje, o melhor caminho para
um país atingir a excelência educacional seja atrelar o seu sistema educacional
aos resultados do PISA, por um fato muito simples: não há nenhum país que tenha
obtido, primeiro, grandes notas no PISA, e depois se tornado uma potência econômica
ou social, mas, pelo contrário, primeiro os países se tornam grandes potências
econômicas e sociais para depois conseguirem boas notas no PISA, de onde só
podemos tirar duas conclusões:
a) A
educação não é relevante para o progresso de um país.
b) O
PISA não é relevante para o progresso da educação, e por tabela do país, pois
apenas espelha o sucesso já alcançado pela maturação do sistema educacional e
econômico construídos muito antes, e que não precisam do PISA para mostrar a
sua pujança – este vale mais como um fator de propaganda política, como uma
cereja sobre a cobertura de um bolo.
O PISA é
tão vinculado à realidade econômica e tão alheio ao que acontece na educação,
que a Argentina, com sua poderosa tradição educacional, tem ficado sistematicamente
atrás do Brasil nos últimos testes, embora em 2000 estivesse bem à frente, e em
2006 só um pouco acima, refletindo descaradamente o colapso paulatino da
economia e da sociedade, sob os desmandos da Kirchner local. Ademais, prosseguem
os burocratas e os oportunistas de sempre, agitando, conforme a conveniência,
as bandeiras que mais lhes convém, esfarelando despudoradamente os resultados
dos testes, citando a China, quando convém criar metas ambiciosas e mais
disciplina nas escolas, e a Coreia ou a Polônia, quando o que interessa é acabar
com a estabilidade dos professores.
Mas a
lição que fica do conjunto dos dados é única e cristalina. Se é que nós vamos continuar
nos espelhando no PISA, é preciso fazer a revolução econômica, social e moral
da sociedade para começarmos a atingir bons resultados nesses testes, caso
contrário, mesmo sem abandonar as premissas revolucionárias citadas, devemos
recriar e aprimorar nossas próprias metas educacionais, em função de nossas
tradições e necessidades, e aí a escola pode ser um elemento dinamizador
fundamental, modificando, inclusive relações administrativas no âmbito das
escolas, sem a necessidade de passar pelo PISA, da mesma forma que Colombo
descobriu a América, sem precisar passar pelos Estados Unidos.
(visite o blogue historiatexto.blogspot.com.br)

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