EDUCAÇÃO

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SEM LENÇO, DOCUMENTO OU DIREÇÃO

Prof Eduardo Simões


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Fonte: http://swampbubbles.com/
La vai o carro da educação brasileira. Segure-se quem puder!
            Quem não quer perder nada também não ganhará nada, e muito pobre há que por se preocupar em demasia com a perda dos tostões não tem tempo nem inteligência para ganhar os milhões.
            O governo estadual anda preocupado com os gastos da educação, note-se a Secretaria Escolar Digital, as visitas de agentes do Tribunal de Contas, etc., sem falar de outros sinais dos tempos: no início do ano a ordem era criar projetos, fazer gastos, hoje se controla até o papel higiênico, e só se fala em cortes financeiros para 2015, redução de salas de aula, etc., tudo para controlar os tostões. E a mina de ouro da pedagogia?
            Os antigos brasileiros eram mais realistas e sábios. Percebendo que seria impossível controlar todos os fatores envolvidos em um projeto humano, mesmo os menores, eles reconheciam a lógica e a necessidade de aceitar alguma perda pelo imponderável, hoje esquecido nos modernos projetos megalômanos, onde é quantificável, até o mais ínfimo centavo de ganhos e perdas, como se a sensação de controle dos executores do projeto importasse mais que os objetivos deste. Hoje se fala em perda zero, fome zero, etc., enquanto os antigos falavam da parte das saúvas.
            A verdade é que as saúvas da incompetência pessoal, da desonestidade coletiva, do imponderável natural sempre ficarão com uma parte do investimento de um projeto, que será tanto menor quanto mais claro, detalhado e realista for o objetivo em mente, na escola isso se chama projeto pedagógico, cuja finalidade é aprimorar o potencial transformador da inteligência de alunos e professores. Como fazer isso sem psicologia ou com uma pedagogia que só consegue projetar resultados numéricos de exames artificialmente unificados, como se todas as crianças e professores fossem uma coisa só?
            Os áulicos do sistema estão confusos e atordoados, uma vez que, apesar da grandeza dos gastos desse filho do tempo, o dinheiro público, os resultados quedam pífios, quando não decrescentes, e resolveram decretar o extermínio até à última das saúvas: maus professores e administradores, turbinando mais uma temporada de caça à estabilidade dos docentes. O problema é que a maior parte das saúvas que hoje os constrange, não passa de projeções da insuficiência de seus próprios projetos, desprovidos tanto de uma pedagogia como de uma psicologia que responda adequadamente às necessidades de jovens e adolescentes modernos, muito mais amplas e complexas que o mero desejo de se dar bem, de conseguir um emprego e se acomodar, como supõe um modelo de educação que só pensa em formar candidatos a exames nacionais ou internacionais – um exemplo típico de insuficiência de projetos e confusão conceitual é o fato de o estado, que é o mais coberto por áreas de proteção ambiental da Federação, e supostamente o mais sustentável, ser o que proporciona os maiores horrores de poluição, como a torrente preta do Tietê
            É o modelo educacional escolhido que está errado, e às vezes parece estar sem direção, como um veículo cheio de gente que, ao fazer uma curva à esquerda, joga todo mundo à direita e vice-versa, embora o caminho seja plano e sem obstáculos, ou ainda um barco a vela querendo pegar todo vento que sopra, seja em que direção for! É preciso refazer a filosofia que move a educação do estado, privilegiando o ganho, o que é positivo, ou seja, os bons alunos e professores, e os métodos psicopedagógicos mais adequados para uma formação mais ampla e de longo prazo, e parar com esses tiros a esmo, tentando atingir a própria sombra.
            Vai acabar acertando o pé.

(visite o blogue historiatexto.blogspot.com.br)

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