EDUCAÇÃO

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O FIM DE UM MITO... E É UMA PENA!

Prof Eduardo Simões


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Fonte: http://educador.brasilescola.com/

            Sempre soube que a melhor forma de um professor fazer os alunos se interessarem por sua matéria seria ganhá-los afetivamente, criar laços de amizade e sadio companheirismo, sem chegar às intimidades ou “coleguismo” intolerável, como normalmente acontece com os professores mais jovens no início da carreira. Com base nessa crença, reforçada pela leitura de autores prestigiosos, como Paulo Freire e Lauro de Oliveira Lima, sempre primei por ter uma relação bastante horizontal com meus alunos, com vista ao aumento de produtividade e maior motivação deles para os conteúdos de minha matéria; mas algo não está dando certo!
            Na última exposição de trabalhos que participei na escola onde leciono, para “turbinar” a vitrine de história, expus várias revistas estrangeiras de história, com capas bem chamativas e nunca vistas antes por eles, não sem antes ter passado uma meia hora fazendo algo que eles adoram: competição de perguntas e respostas, que atraiu um enxame de alunos de várias turmas ao meu redor. Naquele momento eu fui o centro das atenções.
            Entretanto, quando as salas se abriram para os alunos apreciarem a exposição, ninguém parou diante das revistas nem lhes fez qualquer referência posteriormente, sequer teve curiosidade em folheá-las, como se elas já fizessem normalmente parte de seu cotidiano, o que não é verdade, ou eu fosse um professor especialmente detestado, o que também não é verdade – se eu o sou, então eles disfarçam muito bem, muito além do que normalmente se faz em escola pública, onde o mau professor é o primeiro a ser colocado contra a parede, mesmo quando não seja mau. Para mim ficou evidente o desinteresse, apesar de tudo, pela minha matéria.
            Daí surge a questão: se eu não sou particularmente detestado pelos alunos, se sou um professor que raramente falta e procura sempre chegar entusiasmado em sala de aula, dizendo “que legal, vamos trabalhar!” Por que esse desinteresse? É verdade que existe em curso no nosso estado uma política de desvalorização premeditada da história – reduziram muito a sua carga horária no Ensino Médio; misturaram História do Brasil com Geral, começando por esta; não é sempre que história é avaliada pelo SARESP; etc. – que deve causar, como sequela, esse desinteresse, sem falar de uma abordagem excessivamente ideologizada, voltada para a descrição de grandes estruturas, tão interessante quanto a leitura de um balancete de empresa. Na minha juventude a história era a segunda opção da maioria dos vestibulandos. Quantas vezes não ouvi “só não faço história porque não dá dinheiro”. Há um desinteresse visceral dos alunos pela matéria, que já está se tornando um traço da nossa cultura (mas para onde nós iremos sem história?), capaz de resistir, inclusive, à amizade ao professor.
            Moral da história, sem trocadilho, vivemos na educação a lei da menos valia, da seguinte maneira: se o professor for mau profissional ou hostil aos alunos ele pode esperar com certeza resultados ruins em sua matéria, mas se ele for apreciado pelos alunos não deverá, como consequência, esperar bons resultados. O sistema perde, cada vez mais, a sua racionalidade, ou são os imaturos que, como era de se esperar, não sabem fazer bom uso do poder que lhes é concedido pelas “autoridades”, e a aprovação automática, junto com outras medidas paternalistas, conduziram-nos à extrema banalização de tudo o que acontece na escola.
            É só continuar fingindo que está tudo bem.
           

(visite o blogue historiatexto.blogspot.com.br)

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