EDUCAÇÃO

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CRÍTICAS AO PISA

            Prôs Eduardo Simões e Margarida Guimarães

            Piaget é foi muito criticado, no passado, pela ênfase que dá aos resultados de seus testes de nível mental, invariavelmente apresentados como um produto cultural, e que, por conseguinte, não mediriam exatamente a inteligência, mas o nível de inserção do jovem numa determinada cultura, sendo não raro confundido com os famosos testes de QI, talvez uma consequência histórica do fato dele ter trabalhado alguns anos no laboratório de Binet, o inventor desses testes.
            Os autores dessas críticas não têm ideia de como se faz uma testagem com o método clínico de Piaget, tema de outro artigo mais à frente, pelo simples fato de que os esses testes devem ser obrigatoriamente realizados com materiais de uso da cultura da criança, sobre fenômenos que a criança pode produzir com suas mãos, sem falar da importância que se dá à maneira como a criança explica o que aconteceu ante seus olhos, e que também determina o nível de inteligência em que ela está, sem com isso produzir qualquer efeito restritivo, mas fornecendo ao professor dados valiosos para um diagnóstico razoavelmente exato, da melhor forma de trabalhar com essa criança, para que ela aceda aos níveis mais altos de inteligência, vista como uma capacidade de resolver problemas, desafios, seja quais forem, seja aonde for, seja como for, tendo em vista ampliar as possibilidades de sobrevivência do organismo.
            De resto, Piaget sempre foi muito cauteloso quanto às conclusões dos resultados de testagens em alunos de culturas diferentes. Em um de seus livros ele comenta os resultados de testagens feitas por um de seus colaboradores em escolas da Martinica, uma colônia francesa, cujas crianças mostraram um atraso de quatro anos, na entrada do estádio operatório, quando comparadas com crianças francesas. Ele então comenta a possibilidade disso refletir as deficiências físicas e de mão-de-obra, o preparo dos professores, das escolas martinicanas, quando comparadas às suas congêneres francesas, e da possibilidade de isso intervir no resultado final dos testes. A isso ele acrescenta um fato curioso: o pai de uma das crianças, que se saiu particularmente mal na testagem, construíra, recentemente, uma casa sobre uma plataforma, uma palafita, e ao terminá-la descobriu que havia se esquecido de erguer uma escada, precisando da ajuda dos vizinhos para descer de lá!
            Surge o PISA
            Seja como for essas questões pretéritas perderam relevância frente aos novos desafios lançados pelos testes internacionais, que estão retomando o mesmo caminho dos antigos testes de inteligência, sem que a maioria se dê conta, ou se deu não se importou, com o agravante de que eles aparecem com o aval de importantes comunidades de... políticos, que em vários países do globo, estão aplicando enormes solavancos em seus sistemas educacionais por conta dos resultados desses testes: no Peru, ilustres senadores e deputados chegaram a sugerir um “estado de emergência educacional”, depois do último lugar nos testes do PISA, para alívio do Brasil. Essa vocação tragicômica de nossos políticos!
            Antes de sair derrubando tudo ou criar testes semelhantes para caricaturar a inciativa da OCDE – sigla em francês de Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, um grupo de 34 países que têm como meta comum a defesa da democracia representativa, a economia de livre mercado, e o uso de índices econômicos e sociais (PIB e IDH) para definir que países são desenvolvidos ou não, e, por conseguinte, se atingem índices mínimos, podem fazer parte da organização – esses países fariam melhor se refletissem mais sobre as características do sistema de testagem, certificando-se de que ele mede exatamente o que diz medir: a inteligência, ou seja, a capacidade genérica para resolver problemas universais, em crianças que atingiram um determinado nível de escolaridade (entre 15 e 16 anos).
            Entidade exclusivamente europeia, a Organização ampliou os seus quadros para receber países desenvolvidos de fora do continente, como EUA, Japão, Coreia do Sul, Turquia, Nova Zelândia, Austrália, Israel. Da América Latina, comparecem à OCDE o México e o Chile, enquanto a Colômbia está na sala de espera. O Brasil teria que melhorar muito seus indicadores econômicos e sociais para se agregar ao órgão pela porta da frente, preferindo, no momento, o ingresso por meio da janela do quarto de empregada, participando do PISA.
            Criado a partir de uma iniciativa australiana, os testes do PISA, se apresentaram com o suposto intuito de promover a melhoria dos sistemas educacionais dos países membros, partindo do princípio que todas as sociedades organizadas nos países que compõe a OCDE, ou lhe são parceiros, têm exatamente os mesmos objetivos nacionais e educacionais, e quiçá almejam o mesmo nível de vida e sistema de cultura, o que é um grande disparate, caso contrário não faria sentido um sistema de avaliação quantitativo, com o mesmo padrão para todos os países, comparando a todos numa única escala.
            A Wikipedia francesa assim descreve um dos objetivos do PISA: “comparar as performances de diferentes sistemas educacionais, a partir da avaliação de competências adquiridas no final do Ensino Fundamental. Essas competências são definidas como aquelas que todo cidadão europeu médio [destaque meu] deve ter, para ser bem-sucedido no seu dia-a-dia, aquilo.... que poderíamos chamar vagamente de cultura matemática ou um saber ler. Trata-se de avaliar a maneira como os jovens [europeus] são capazes de aplicar os seus conhecimentos na sua prática cotidiana, assim como seu nível teórico no domínio das ciências e da linguagem” (tradução livre). Há algo mais ideológico ou unilateralmente cultural do que isso? Mais parece que o PISA seria um projeto da alta burguesia europeia de criar um mundo à sua imagem e semelhança. Mas há mais, muito mais.
            As críticas ao PISA
            Na Wikipédia espanhola o autor repara: “Na pontuação do QI [índice do qual discordamos, mas do qual o autor do artigo se vale para fundamentar sua crítica correta] entram em jogo diversos fatores que nada têm a ver com a escola, como: a genética, o cuidado pré-natal e a alimentação na infância. Por isso é que os PISA dos países com baixa renda per capita, ou com muitos imigrantes ou minorias sociais, vão tão mau (tradução livre)”.
            Isso é a mais pura verdade, a saber: Portugal e Espanha, tiveram pontuação mais baixa entre países da Europa Ocidental; a presença da escola profissionalizante na Espanha e em Portugal é de 24% contra 65% da Finlândia – até a escolha de direcionamento filosófico em sistemas de ensino de boa qualidade, esse teste discrimina! A zona francesa da Bélgica apresentou resultados inferiores a da zona neerlandesa, embora o sistema de ensino seja único! Na Suiça, os cantões italianos se saíram melhores que os franceses e alemães, embora a França e a Alemanha tenham se saído bem melhor que a Itália nos testes, mas a província de Bolzano, uma das mais ricas da Itália, tenha conseguido índices altíssimos – nesse caso se confirma a eficiência do fator “renda”. Na Finlândia, a minoria sueca, que certamente sofre alguma discriminação, se saiu pior que os finlandeses! No Canadá, a região francófona, Quebec, se saiu pior que as províncias anglófonas. Na Espanha, as regiões de pior avaliação foram as historicamente as mais pobres e abandonadas: Ceuta, Melila, Baleares, Extremadura; já a região mais bem-sucedida foi Castela e Leão, a núcleo dirigente da nação espanhola. Aqui para nós, é preciso gastar tanto dinheiro, fazer tanto alvoroço, para saber daquilo que nós já estamos carecas de saber? Mas tem mais.
            Outra crítica que o verbete alevanta é sobre a grande diferença que se observa entre os resultados dos testes da TIMSS (Tendências Internacionais na Aprendizagem de Matemática e Ciências), criado pela IEA (Associação Internacional para a Avaliação Aquisição de Aprendizagem), com sede na Holanda, e os do PISA. Naqueles, os países do leste europeu, com mais baixa renda per capita, que têm resultado medíocres no PISA, conseguem ficar acima, inclusive da Finlândia, confirmando a histórica capacidade dos povos eslavos para a matemática. Até o Kazaquistão (54º no PISA) se destacou (5º no TIMSS)! Aliás, nos testes do TIMSS, países como EUA, Inglaterra, Israel, Rússia, conseguiram, em alguns níveis de escolaridade, ficar entre os dez melhores, algo muito mais compatível com a reconhecida excelência de seus sistemas educacionais, estranhamente não detectada no PISA (confira http://elgastoeducativodominicano.wordpress.com/2012/02/09/414/#)
            A Wikipédia inglesa problematiza a participação chinesa no PISA, uma vez que ela foi restrita à cidade de Xangai, e imediações, a região econômica mais dinâmica da China atual, e que foi saudado pelo mundo afora como uma conquista espetacular, embora, não pelos chineses. Num documentário sobre a educação em Xangai, mostrado na TV Futura, mostra uma autoridade afirmando que a causa do sucesso chinês se deve ao fato de os testes do PISA favorecerem aquilo em que os chineses são bons: “memória e displina”, justo o oposto daquilo que os representantes do PISA dizem que os testes medem, e que ele estaria inseguro dos resultados se os testes fossem feitos nas regiões mais pobres – afora as críticas ao PISA, porém, não podemos deixar de reconhecer que a China está fazendo um esforço enorme e meritório para aprimorar seu sistema de ensino, ao contrário daqui, com a valorização social e profissional do professor, e uma estratégia que induz às escolas bem-sucedidas a apadrinharem escolas fraquinhas, acumulando e transferindo know-how, enquanto aqui tudo começa do zero, para não ‘encher a bola’ do adversário político.
            Mas os chineses tinham outro ‘truque’ nas mangas: o seu sistema interno de controle de população, houku, que desloca milhões de estudantes para as cidades, para concluir o ensino fundamental, e depois os obriga a retornar ao campo, quando completam... 15 anos, conforme matéria apresentada pela jornalista do New York Times, Helen Gao, (http://sinosphere.blogs.nytimes.com/2014/01/23/shanghai-test-scores-and-the-mystery-of-the-missing-children/?_php=true&_type=blogs&_r=0). Ou seja, para a avaliação só ficaram dos estratos mais altos e urbanos da sociedade xangaiense, enquanto os do meio rural, menos afeitos à cultura ocidental urbana, que os testes do PISA medem, eram habilmente descartados. O porta-voz do PISA, Andreas Schleicher, saiu em defesa do PISA, mas, pressionado foi obrigado a reconhecer que 27% das crianças de 15 anos de Xangai ficaram fora do teste, quando nos países desenvolvidos esse número gira em torno de 10%, o que comprometia qualquer forma de comparação (ver o artigo de William Stewart, http://news.tes.co.uk/b/news/2014/03/05/more-than-a-quarter-of-shanghai-pupils-missed-by-pisa.aspx).
            Concluindo, “o pedagogo Yong Zhao notou que o PISA não recebeu muita atenção na mídia chinesa, e que as altas pontuações obtidas são devidas a enorme carga de trabalhos e testes que o estudante realiza, e acrescenta que ‘não é novidade que o sistema educacional chinês é ótimo na preparação de alunos para exames, como outros sistemas construídos dentro do círculo cultural confucionista, ou seja, Coreia, Cingapura, Japão e Hong Kong’” (Wikipédia em inglês, tradução livre). É aqui que está o ‘pulo do gato’, uma escola rígida, hierárquica, disciplinadora, gerontocrática, muitas vezes milenar; justo naquilo em que eles são visceralmente diferentes de nós, para o melhor e o pior. Vejam essas mensagens deixadas no blog do professor Zhao: “desde que minha filha entrou para o 7º grau (mais ou menos nossa 7ª série), ela passou a ter aulas noturnas extras. A princípio essas aulas iam até 18:50 h, e eu aceitei... Mas quando ela chegou ao 9º grau as aulas se estenderam até 20:40 h. Para os alunos que estão se graduando, as aulas no sábado vão das 7:30-20:00. Há também cinco semanas de aulas no inverno e nas férias de verão” (depoimento de uma mãe)... “Vocês, adultos, trabalham das 9:00 às 17:00 h [na China], e nós somos obrigados a trabalhar até 18 horas por dia” (queixa de um aluno) – confira http://zhaolearning.com/2010/12/10/a-true-wake-up-call-for-arne-duncan-the-real-reason-behind-chinese-students-top-pisa-performance/. Isso é razoável? É isso que queremos para nossos filhos? Para onde isso pode nos levar?


http://img.timeinc.net/time/daily/2010/1012/360_china_education_1207.jpg
É assim que se estuda na China, para o PISA, junho de 2008; foto de Claro Cortes IV, Reuters

            Há uma longa discussão, dentro dos estados Unidos. Sobre o baixo índice dos estudantes americanos no PISA. Os opositores dizem que há um erro de amostragem que acaba superdimensionando a participação dos alunos mais pobres, enquanto os defensores do teste afirmam que os resultados dos jovens pobres da Finlândia também são bons. Mas ai fica a questão: o percentual de pobres nos dois países é semelhantes? Segundo, a pobreza na Finlândia, um país de cultura tradicionalmente estimula a cooperação, até como uma forma de conviver ou enfrentar com vizinhos poderosos, tem tanto “peso” que nos Estados Unidos, que apostou pesadamente justo no oposto, na concorrência, na competição; o paraíso dos vencedores, e o inferno dos perdedores? Será que isso não faz diferença, e essas diferenças não devem fazer parte das análises, principalmente dos gestores educacionais, antes de partirem para reformas extemporâneas.
            Que dizer a respeito da participação de migrantes, muito maior nos Estados Unidos (e no Brasil) que na Finlândia, e da dificuldade de montar um sistema de ensino que abranja ao mesmo tempo a tamanha diversidade cultural? Em São Paulo simplesmente se partiu para a camisa de força da Secretaria Escolar Digital.  A Finlândia possui alguns milhares de imigrantes russos, suecos, estonianos, todos de cultura báltico-escandinava, enquanto os Estados Unidos, e em menor escala o Brasil, possui milhões de imigrantes vindos de toda parte do mundo. Isso não faz diferença? Os americanos também se queixam, com razão, da forma precipitada com que os dados dos exames são tabulados e conclusões temerárias são tiradas e espalhadas aos quatro ventos, sem uma analise mais apurada. Essa precipitação ficou bem visível quando o porta-voz do PISA Andreas Schleicher, um estatístico alemão, com pendor à educação, para desgraça desta, tentou justificar o sucesso da China dizendo que Shangai estava experimentando uma “maré de mudanças na pedagogia” (verbete PISA, Wikipedia inglesa, tradução livre), abandonando “o foco da educação, do preparo de uma pequena elite para o trabalho e a construção de um sistema mais inclusivo, Eles também melhoraram muito o salário e a formação do professor, reduzindo a ênfase na aprendizagem para realização de projetos em sala de aula e solução de problemas” (idem), negando a sua cultura seis vezes milenar! A China virou um país burguês ocidental, e, ainda mais admirável, sob a batuta de um partido comunista! Essas afirmações são desmentidas esculachadamente pela foto acima e pelo professor Yong, que é chinês desde que nasceu. Ou seja, o PISA não mede o que diz medir, da mesma forma que o ENEM, que empurrou as escolas públicas para projetos sem fim e sem cabimento, acaba premiando escolas tradicionais, mas eficientes, como o Colégio São Bento, do Rio.
(Confira http://content.time.com/time/world/article/0,8599,2035586,00.html ). Outra denúncia que os americanos fazem é que as medidas tomadas para melhorar o desempenho em matemática dos estudantes americanos, já começaram a surtir efeito, e isso já apareceu tanto nos testes do TIMSS e como nos exames internos, mas continuam ocultos no PISA.
            Se você, caro leitor, reparar bem, verá que os países que invariavelmente encabeçam a lista do PISA, e também, mas em menor escala, no TIMSS, têm uma série de características comuns que não podem passar batidas por quem deseja saber realmente o que está acontecendo na educação mundial. Consideremos os doze primeiros colocados do PISA de 2012, em Matemática (Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Macau, Japão, Liechtenstein, Suiça, Holanda, Estônia, Finlândia) e Leitura (Hong Kong, Cingapura, Japão, Coreia do Sul, Finlândia, Taiwan, Canadá, Irlanda, Polônia, Liechtenstein, Estônia). Em Ciências, os doze primeiros países se repetem com duas novidades: Vietnam e Alemanha.
            Todos esses países, ou cidade-estado, têm um altíssimo nível de renda per capita, a exceção do Vietnam (essa foi a única vez que um país pobre apareceu nas primeiras posições); em todos esses países a renda não está muito concentrada, como acontece, inclusive, em diversos países desenvolvidos do Ocidente; todos esses países são culturalmente, e até racialmente, muito uniformes, têm uma população razoavelmente homogênea (exceção parcial do Canadá e da Alemanha, mas que não se comparam com a diversidade brasileira, americana, inglesa ou francesa); essas sociedades existem como nação, embora nem sempre como país, há muitos séculos ou milênios (a exceção do Canadá); todos esses países ocupam uma área territorial irrisória, que favorece o controle de qualidade de um bom sistema educacional e outras vantagens sociais (a exceção parcial do Canadá, que, embora possua um território imenso, boa parte desse território não é ocupada, coberta permanentemente por florestas e gelo). Nós, e os americanos, jamais seremos como esses países; jamais conseguiremos os mesmos resultados que eles em testes como esses. Porque então ficarmos correndo atrás disso, ao invés de procurarmos melhorar os nossos índices a partir de nossa realidade e de indicadores compatíveis com as nossas características?
            Infelizmente não é isso o que acontecem aqui nem nos Estados Unidos, segundo o professor Andy Hargreaves, em seu livro O ensino na sociedade do conhecimento, onde narra que as autoridades educacionais americanas e canadenses, mais aquelas, preocupadas com o baixo desempenho nesses testes, estão intervindo na educação de forma açodada, procurando melhorar os índices das escolas principalmente por meio de estímulos financeiros e o acirramento da competição entre escolas e professores, com resultados lamentáveis, como a quebra da solidariedade entre os professores, que se reflete inclusive na omissão de informações relevantes sobre os alunos, para que o rival não cresça em detrimento do professor que “falou demais”; na estigmatização dos alunos mais fracos, em geral os mais pobres, e nas escolas situadas nos bairros abandonados, onde os resultados são mais baixos. Os professores, motivados pelos bônus vindos dos bons resultados, não querem saber de ir para essas escolas, que ficam com os professores menos hábeis. Minha filha ouviu de professores residentes americanos em sua faculdade, que os professores de Ensino Fundamental e Médio de lá, transtornados pelo sistema de testagem, que premia aquele que conseguir um aumento mais expressivo da nota de seu alunos, em duas testagem anuais, simplesmente paralisam as aulas antes da primeira testagem, para puxarem tudo após esta, e conseguir o maior diferencial de nota possível, e, consequente, bônus maior. Já a aprendizagem e a educação....
            Gostaria de terminar com um texto de Hargreaves, que, embora construído a partir da realidade americana, estranhamente reflete o que está acontecendo com o sistema escolar público do meu estado, derivado da preocupação das autoridades, tanto as daqui como as de lá, em conseguir um melhor desempenho em testes tipo PISA: “A melhoria dos padrões desempenho, na forma de metas... ou a ênfase excessiva na alfabetização e na aritmética marginaliza a atenção dada ao desenvolvimento pessoal e social, que é o alicerce da comunidade, e eliminam a atenção interdisciplinar à educação global, que está no coração da identidade cosmopolita... na reforma padronizada os professores são tratados e formados não como trabalhadores do conhecimento de habilidades e capacidades elevadas, mas como geradores de desempenhos padronizados, complacentes [creio que a melhor tradução seria “inermes” ou “amorfos”] e monitorados de perto. Professores com vidas profissionais supercontroladas [será que falaram sobre o SED lá nos EUA, ou seria o SED uma cópia de um desatino americano] reclamam de falta de autonomia, criatividade perdida, flexibilidade restrita e capacidade limitada para exercer seu julgamento profissional... a comunidade profissional desaba” (Artmed; 2004; pg 22). 

            Gostaria também de ter dedicado mais espaço nesse artigo a dados e opiniões de brasileiros, mas vivemos em um país estranhamente apegado à unanimidade. Que nos valha Nelson Rodrigues!

(visite os blogues memoriaecritica.blogspot.com.br  -  historiatexto...)

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